E TUDO Acabou Asim!

Cláudio Taffarel
Atleta de futebol

   Depois de 52 jogos, três milhões de ingressos vendidos, quatro anos de preparação e um mês de muita badalação na mídia do mundo inteiro, a decisão de tudo isso acabou sobrando para duas pessoas: Bággio e eu...

   De um lado Baggio, de outro Taffarel. Entre eles a bola. Na platéia, via satélite, metade da população do planeta! O chute final da Copa do Mundo de 1994 foi o lance de suspense máximo do maior espetáculo da terra. O Brasil era o franco favorito e deveria ganhar essa copa com os gols de Romário. No entanto as coisas se complicaram quando o jogo final contra a Itália terminou em zero a zero. Os trinta minutos de prorrogação também não produziram um único gol para que o Brasil ou Itália soltassem o grito de vitória que tinham entalado na garganta e ainda deixaram os jogadores exaustos, a ponto de quase não poderem mais correr atrás da bola.

   Naquele momento, a responsabilidade pela conquista do tetra deixou os pés mágicos de Romário e caiu nos braços de um homem que joga do lado oposto do campo, o goleiro Taffarel. Conseguiria ele garantir para o Brasil aquilo que Romário, o nosso herói maior, não conseguira? Bom, ninguém melhor do que Taffarel para contar o que passou por sua cabeça na final da Copa de 1994: "Na manhã daquele dia acordei tranqüilo, confiante, firme em Deus. Parecia até que ia jogar um amistoso e não uma final de Copa de Mundo contra a Itália! Algo diferente estava acontecendo comigo. Fomos para o estádio com uma enorme confiança. Ao entrar no túnel que dá acesso ao gramado, percebi que os jogadores da Itália estavam inseguros e cabisbaixos, enquanto nosso time gritava: vamos lá, vamos ganhar!

   Quando o jogo e a prorrogação terminaram empatados e fomos para a disputa de pênaltis me lembrei das palavras que havíamos estudado naquela semana: Nossa alma espera no Senhor. Ele é o nosso auxílio e o nosso escudo (a nossa defesa). Nele o nosso coração se alegra, pois confiamos no seu santo nome. Seja sobre nós, Senhor, a tua infalível misericórdia pois a nossa esperança está em ti.(Salmos 33.20-22).

   Desde que convidei Jesus Cristo para morar em meu coração, passei a contar com a força, o amor e o poder de Deus nos momentos mais importantes de minha vida. Nem tudo é um mar de rosas na vida do cristão e na minha não foi diferente. Mas na hora do aperto, na hora da trairagem dos técnicos e dirigentes, na hora do frango e da vaia da torcida, na hora em que perdi meu pai ou vi minha mulher entre a vida e a morte na UTI de um hospital de Porto Alegre e na hora de pegar o pênalti decisivo, é que percebi o quanto é importante não estar só. Deus nunca me deixou na mão.

   E não foi diferente na Copa de 1994: No meio da disputa de pênaltis dei uma olhada no placar. Vi que estava 2X2 e pensei: É a minha hora de fazer alguma coisa pela minha equipe e para o meu país. Senhor, me ajude a defender este pênalti! E Ele ouviu...Quando Massaro chutou, creio que Deus me empurrou para o canto esquerdo e eu pude fazer a defesa. Aí o Dunga foi e fez o seu gol e ficou tudo no pé de Baggio quando fomos para a cena final.    Depois de 52 jogos, três milhões de ingressos vendidos, quatro anos de preparação e um mês de muita badalação na mídia do mundo inteiro; decisão de tudo isso acabou sobrando para duas pessoas: Baggio e eu...Quando o vi com a cabeça baixa e os olhos fixos no chão, percebi que ele estava inseguro e cresci bastante. Naquele momento tive a certeza: - eu vou fazer a defesa ou ele vai chutar para fora...E não deu outra...Quando aquela bola passou voando alto por cima do travessão a única coisa que me deu vontade de fazer foi me ajoelhar e glorificar a Deus pois sabia que a vitória estava vindo dEle e só Ele merecia aquela glória. Afinal de contas, nem Baggio fez o gol, nem eu fiz a defesa no lance final da Copa de 1994. Disso eu aprendi que é muito bom confiar em alguém que é infinitamente mais poderoso que nós. Alguém que nos ama, nos entende, nos ampara e se importa com cada detalhe de nossas vidas. O seu nome é Jesus, o único caminho que leva a Deus., Ele é verdade em um mundo tão cheio de mentiras. E acima de tudo Ele é a própria vida".

   Cláudio André Mergen Taffarel, nasceu em Santa Rosa RS, já atuou como goleiro no Atlético Mineiro, Internacional de Porto Alegre, Parma Itália e Regianna Itália. Títulos: Copa da Itália de 1992 e Recopa Européia de 1993 (Parma) e Copa Conmebol 1997(Atlético MG). Jogos na seleção: 105 jogos em Copas. 11gols sofrido em Copas. 05 títulos na seleção: Copa do Mundo de 1994; Vice na Copa do Mundo de 1998; Copa América 1989 e 1997; Medalha de prata Olimpíada de Seul em 1988; Medalha de Ouro Pan-Americano de Indianápolis em 1987; Campeonato Sul-Americano e Mundial de Juniores de 1985.

Texto extraído da homepage dos Atletas de Cristo na internet, http:/www.atletas.org