Ódio, violência e desespero.

Tendo crescido num ambiente de terror, Adelson viveu momentos trágicos em sua vida, cercado de doença, fome e carência absoluta. Como resultado tornou-se muito violento. Envolvido com todo tipo de loucura, foi no desespero, com a filha muito doente e ele próprio sofrendo dores, que encontrou finalmente o alívio e a esperança.

Adelson Freitas
Advogado

   Cresci num clima de terror, com a certeza de que, no dia em que eu encontrasse meu pai, seria fatalmente morto por ele_ como acontecera com o capataz da fazenda.

   Por ser ele fazendeiro, o poder aquisitivo da família era bom. No entanto não desfrutei as regalias do dinheiro. Quando minha mãe estava grávida de quem seria o caçula, ele acreditou não ser eu seu filho. Por isso em muitas ocasiões tentou matar tanto a minha mãe, como a mim. Como resultado ela passou toda a gravidez fugindo com medo de ser assassinada. Depois de uma infância muito traumática, cheia de medo, fomos para o Rio de Janeiro, onde vivemos dias trágicos, rodeados de doença e total necessidade. Minha avó costumava dizer: “Comam, crianças, comam isso, pois a carne ainda está cozinhando...” até que um dia resolvi destampar a panela: era só água, água fervendo...

Como resultado dessa vida, quando cheguei à juventude me tornei um homem muito violento. Com 18 anos conheci aquela que dali a três anos seria minha mulher. Éramos felizes, mas só até o momento em que me envolvi com o espiritismo, passando a receber entidades. Meu casamento começou a naufragar, eu me enredando com mulheres, chegando em casa de madrugada, enfim, fazendo das minhas... Além disso, me meti em brigas na rua, tendo algumas vezes ido parar na delegacia.

   Com seis anos de casamento, minha mulher engravidou. Logo no início ela passou muito mal. No quinto mês os médicos descobriram que tinha um vírus no sangue, aconselhando-lhe em vista disso o aborto. Consultamos vários especialistas, mas a opinião era sempre a mesma. Alguns cristãos, que morava na nossa rua, descobriram que ela estava doente, e se propuseram a orar por ela. Como o pai, que compartilhava nosso quintal, odiava crentes, ela ficou aguardando uma oportunidade em que ele não estivesse em casa. Quando vieram, falaram do amor de Deus, de esperança e fé. Ela ficou muito impressionada com a convicção daquela gente. Na véspera da operação para o aborto, Sônia orou pedindo ao Deus dos crentes que lhe desse um bebê perfeito. E Deus fez um milagre; o sinal que minha esposa pediu para não fazer o aborto. Ela teve fé, a fé daqueles crentes... Deixou de duvidar, e lutou contra toda a família, contra mim e o desespero.

   No dia da operação ela foi acordada por sua mãe, que lhe perguntou: “Onde está a sua bolsa?” Com muita firmeza ela respondeu: “Eu não vou operar!”

   Seu médico, quando soube de sua decisão, ficou apavorado. Ela começou o tratamento. Sua família, amigos e eu éramos contra a gravidez. Sônia estava cheia de felicidade e confiança. Eram contrações horríveis. A influência do vírus no sangue aumentava a cada dia. E tudo o que ela não sabia sobre a doença passou, a saber, era impressionante: os jornais, a televisão, os vizinhos, no elevador, no ônibus, em casa, enfim, em todos os lados e em todos os ambientes se falava no vírus. O inimigo lhe perturbou o coração até onde pôde, assim como diz a palavra: “O ladrão vem somente para roubar, matar e destruir...”(João 10:10). Ele queria lhe roubar a fé. Com oito meses e meio de gravidez _ por não suportar mais as contrações _ ela teve que ser internada. Ficou na enfermaria das mulheres que teriam alta naquele dia, ao lado de uma senhora cristã. Sônia lhe contou o problema. A médica que estava de plantão, assim que passou a hora da visita, descobriu rapidamente o lençol, perguntou: “Quantos meses você tem de gravidez?” Respondeu que esperava o médico para ser operada. Então ela disse: “Enquanto você não for operada eu não saio do hospital. Você não tem barriga nenhuma!” Foi quando a senhora cristã, que estava ao lado, disse: “Doutora, hoje a senhora vai ver o poder de Deus!”

   E assim aconteceu. Antes de a cirurgia começar, o médico me disse: “José: eu garanto a cirurgia, mas não garanto o bebê”. A sala de operação estava cheia de curiosos. Quando os médicos tiraram o bebê, viram que era perfeito! Era uma menina! Pesava 2,750 Kg e tinha 49cm; todos choravam muito; Deus prometeu Amanda, e Amanda se cumpriu!    Foi um momento glorioso para nós. Mas infelizmente, nem com toda esta situação eu tomei jeito. Continuei a adulterar e levar uma vida de violência. Cheguei a ponto de muitas vezes ameaçar minha esposa com arma! Ela tinha um sonho: estudar medicina. Contudo, pelo fato de me amar, abriu mão de seu intento a fim de me dar oportunidade.

   Entrei na faculdade. No entanto, em lugar de me mostrar grato à minha bondosa esposa, expandi meu envolvimento com mulheres e me aprofundei nas farras, arrumando amante fixa na sala de aula _ aliás, seguindo o exemplo de quase todo mundo...

   Comecei então a ter problemas terríveis com a família. Não tinha mais tempo para esposa e filha, chegando à conclusão de que meu casamento estava acabado _ precisava apenas arranjar uma maneira de terminar tudo sem que houvesse traumas.

   Aceitei o convite de minha irmã para ir a um centro espírita. Ela queria que eu consultasse uma entidade chamada pomba-gira cigana, que segundo ela era especialista nesse assunto. Puro engano... A entidade me disse que eu deveria fazer sete pedidos. Num deles, eu disse: “Quero que a minha separação seja sem traumas; amigável”.

    “Você tem que ficar durante sete semanas com este papel na carteira” - respondeu. Um dia, quando eu estava dormindo, minha filha mexeu em minha carteira e viu o terrível papel. Amanda chorou muito, porque entendeu o porquê de minha mulher viver chorando pelos cantos.    Comecei a ficar mais em casa. Minha vida estava péssima; sentia dores fortíssimas nas pernas, como se alguém estivesse me espetando alfinetes nos calcanhares. Uma ocasião passei três noites sem dormir; a dor era tamanha, que pedi à minha esposa que me levasse ao seu Deus. Então, logo cedo fomos procurar uma pessoa para orar por nós. Passamos o dia inteiro procurando, até que finalmente, às 23 hs. encontramos uma mulher. Nunca mais esquecerei dela...

   Sônia assim que me apresentou àquela mulher humilde: “Irmã Raquel, este aqui é minha benção!” Ouvir isso foi terrível! Depois de tanto mal que lhe fizera ela dizer que eu era uma benção?! Parecia brincadeira...

   Nem consegui ficar de pé, tão intoleráveis eram as dores. Sentei-me num banco, e ela me perguntou: “Meu filho, o que fizeram com as suas pernas?” “Não sei” – respondi. Pediu-me então que me ajoelhasse. Durante a oração ela ordenava: “Sai das pernas dele! Elas não te pertencem!” Quando me levantei, pisava normalmente.

   No dia seguinte fomos procurar um pastor para que orasse por mim. Se eu odiava crente, quanto mais pastor... Mas ele me recebeu com muito amor; um amor tão grande que me senti contagiado. Orou por mim, e eu aceitei a Jesus como Salvador da minha vida.    Amanda, que era uma criança feliz, muito querida, sem a menor estrutura, quando encontrou aquele papel ficou muito abalada. Para ela nossa família era perfeita. Quando as coisas começaram a mudar, logo percebeu. Encontrava às vezes minha mulher chorando pelos cantos. E quando perguntava qual era o problema, ela dizia que era dor-de-cabeça, ou outra coisa qualquer. Queríamos poupa-la dos nossos problemas, mas todos viviam enchendo sua cabeça com problemas. Diziam que eu tinha outra namorada, que não prestava, etc. Mas as maiores conseqüências apareceram na adolescência. Ela começou a sair muito; queria todos os fins de semana ir a discotecas ou festas. Comecei então a proibi-la de sair, o que gerou um problema enorme entre nós. Amanda andava a procura de preencher vazios, e as proibições lhe acirravam a revolta. Para ela, como eu havia errado, não tinha mais direitos sobre ela. Chegou a pensar em morar sozinha. Seu rendimento escolar foi caindo cada vez mais, até se tornar depressiva. Chorava muito, trancando-se no quarto o dia inteiro, ouvindo rock pesado, numa forma de me agredir.

   Minha esposa, por sua vez, orava constantemente por nossa filha, e sempre que podia a convidava para ir à igreja. Mas segundo Amanda, ser crente era ridículo. Ela morria de vergonha dos amigos. O que nós sabíamos é que Deus estava atuando com poder em nossa família. Amanda aceitou um dos convites de Sônia, foi à igreja e entregou sua vida a Jesus. Nossa filha se transformou: deixou de ser uma pessoa vazia; mudou seus hábitos e sua maneira de me tratar. Era uma mudança incrível.

   Foi ali que descobri como a minha mulher me amava. Ela suportou tudo. Eu era um homem intransigente, adultero, devasso e agressivo. Hoje sinto prazer em conviver com a família. Passei a amar mais a minha mulher, e a experimentar as grandes bênçãos de Deus.o amor vence o ódio!

José Adelson de Freitas Pereira – Advogado
Belford Roxo RJ.
Transcrito da Revista A VOZ – Adhonep